Páginas

Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens

Crítica: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)


"E VOCÊ CONSEGUIU O QUE QUERIA DESTA VIDA, APESAR DE TUDO?

CONSEGUI.

E O QUE VOCÊ QUERIA?

CHAMAR-ME DE QUERIDO, SENTIR-ME AMADO NESTA TERRA."


PSIUUU, ALERTA DE SPOILER!  
Na verdade, um monte de spoiler haha.
  

Em Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), acompanhamos a saga de Riggan Thompson (Michael Keaton), um ator famoso por ter interpretado o super-herói Birdman há 22 anos, e que não foi capaz de realizar um trabalho expressivo durante esse longo período. Buscando uma forma de ser reconhecido, Riggan aposta as suas últimas fichas em uma peça da Broadway, assumindo a direção e atuação de sua própria adaptação para um conto do escritor Raymond Carver. Entretanto, o ator enfrenta inúmeros contratempos durante a preparação da peça, sendo o primeiro deles a substituição de um dos atores do elenco pelo talentoso, e presunçoso, Mike Shiner (Edward Norton). Além da recepção negativa da crítica teatral e do provável resultado negativo de bilheteria, Riggan também se encontra diante de problemas na esfera pessoal: uma possibilidade de recaída de sua filha, que acabara de sair de uma clínica destinada a dependentes químicos, e a suspeita de gravidez de Laura (Andrea Riseborough), sua namorada. No meio de todo esse tormento colossal, Riggan ainda é perseguido pela voz de Birdman, que age como a sua consciência e insiste em criticá-lo por não ter prosseguido com a franquia que o deixara famoso e que permitiria que ele tivesse seu sucesso garantido.


Na trajetória de Riggan Thompson poderíamos enxergar a história de carreira do próprio ator Michael Keaton, apagado por exatos 22 anos, da mesma forma que o personagem que interpreta. Enquanto na vida real temos Keaton e seu trabalho como Batman, na obra do cineasta Alejandro Iñárritu nos deparamos com um Riggan assombrado pelo personagem Birdman. A interpretação de Keaton é visceral, e, na minha opinião, uma das melhores já realizadas pelo ator. O fato de construir um personagem sem obter referências externas, a não ser a própria vivência de sua carreira, já revela o seu enorme talento.  



Dentre os inúmeros panoramas discutidos em Birdman, é possível notar na trama a presença de três esferas que se chocam constantemente: o Cinema, o Teatro e a Tecnologia – no caso, do domínio da internet na contemporaneidade. Riggan Thompson representaria o Cinema dos chamados blockbusters, voltado para o consumo. Tal representação se choca, a todo o momento, com a figura do ator Mike Shiner, intepretado por Edward Norton – que, vale lembrar, está impecável no filme! – personagem que agiria como representante do Teatro. Mike Shiner, em seu comportamento arrogante e desinteressado para com a opinião do público, demonstra a sua opinião de que o Teatro seria o meio capaz de reunir atores realmente comprometidos com a Arte. Shiner, em uma das cenas, diz importar-se apenas com a opinião da crítica, que no filme é personificada na figura de Tabitha Dickinson (Lindsay Duncan), uma crítica teatral de Nova York que despreza Riggan e, nas suas palavras, “tudo o que ele representa”. Tabitha mostra-se, no momento em que Riggan a enfrenta, irredutível, declarando diversas vezes que irá destruir a peça adaptada por ele antes mesmo da sua estreia. 


Já Sam (Emma Stone), filha de Riggan, representaria a chamada geração Y, movida pela tecnologia e pela facilidade da transmissão de informações. Percebemos até mesmo o discurso afiado da personagem em um momento de discussão com o pai, afirmando que, ao rejeitar os mecanismos proporcionados pelas redes sociais, Riggan é que não existiria no contexto atual. Nas palavras de Sam, o fato do pai investir na peça teria como única justificativa uma tentativa de estar novamente na mídia, afastando-se, portanto, de um comprometimento com a Arte. De fato, a cena em questão é forte não só pela carga emocional depositada pelos atores, mas também pelas falas apresentadas.

É de suma importância destacar o trabalho de interpretação de Emma Stone, magnífica no papel de filha problemática que busca pelo amor de seu pai:





Riggan: “É minha chance de fazer algo que signifique alguma coisa.”
Sam: “Signifique algo para quem? Você teve uma carreira, pai. Antes do terceiro filme de quadrinhos. As pessoas esqueceram quem estava por trás do pássaro. Você faz uma peça baseada em um livro escrito há 60 anos. Para pessoas brancas, velhas e ricas, que só se preocupam com o lugar que vão tomar café com bolo quando acabar. Só você se importa! E, falando sério, pai, você não faz isso pela arte. Você faz isso, pois quer ser relevante de novo. E adivinha? Há um mundo lá fora onde pessoas lutam todos os dias para serem relevantes. E você age como se não existisse! Coisas acontecem em um lugar que você ignora. Um lugar que, aliás, já se esqueceu de você. Quem diabos é você? Você odeia bloggers, tira sarro do Twitter, nem tem um Facebook. É você que não existe. Você faz isso porque morre de medo, como todos nós, que você não importe. E sabe do quê? Tem razão, você não importa. Isso não é importante. Você não é importante. Acostume-se.”


Logo no início do filme, é possível notar um pedaço de papel colado no espelho à frente de Riggan, com a frase “Uma coisa é uma coisa e não o que dizem daquela coisa”. O fato de Riggan tentar prosseguir com a sua carreira em outra vertente, que não aquela pela qual ficara famoso no passado, de certa forma despertou a ira daqueles que já pertenciam a esse novo mundo, o mundo teatral. A crítica nova-iorquina Tabitha Dickinson rejeita tudo aquilo que Thompson representa, assim como a sua tentativa de adentrar no mundo em que ela está inserida. A sua postura inflexível ao afirmar que irá produzir uma crítica destruidora da peça dirigida, estrelada e escrita por Thompson, demonstra – de forma um tanto quanto caricata – um preconceito que ainda é bastante latente nesse meio. Na cena em questão, é possível notar a presença de diálogos cortantes, diretos no que tange aos trabalhos realizados tanto por Tabitha quanto por Riggan. Nas palavras do personagem de Keaton, não há na crítica elaborada por Tabitha abordagens sobre “técnica, estrutura e intenção”; trata-se apenas de uma fórmula, pré-estabelecida, construída de maneira “preguiçosa”:



Tabitha: “(...) Eu não ouvi uma palavra ou sequer assisti a pré-estreia, mas após a estreia de amanhã, escreverei a pior crítica que já leram. E vou acabar com a sua peça.”
Riggan: “Gostaria de saber o porquê.”
Tabitha: “Porque odeio você e tudo o que você representa. Intitulados, egoístas e crianças mimadas. Totalmente destreinados, desconhecedores e despreparados para produzir arte de verdade; entregando prêmios um ao outro por cartum e pornografia, e gastando seus ganhos nos fim de semana. Bem, este é o teatro. Você não pode vir e fingir escrever, dirigir e atuar na sua peça de propaganda sem passar por mim primeiro. Então, boa sorte.”
Riggan: “O que tem que acontecer na vida de uma pessoa para acabar se tornando um crítico? O que está escrevendo, outra crítica? Ela é boa? É? É ruim? Você assistiu? Deixe-me ler isso (...) 'Inexperiente'. Isso é uma etiqueta. 'Desbotado', etiqueta. 'Marginal'. Marginal, está brincando? Parece que precisa de penicilina para limpar isso. Isso não passa de etiquetas. Você só sabe etiquetar tudo. Você é uma filha da mãe preguiçosa. Você é preguiçosa! Você sabe o que é isso? Você nem sabe o que é isso, não sabe. Sabe por quê? Você não pode ver isso se não rotulá-la. Você confunde esses sons na sua cabeça com verdadeiro conhecimento.”
Tabitha: “Acabou?”
Riggan: “Não, não acabei. Não há nada aqui sobre técnica, sobre estrutura, nada sobre intensidade. Só opiniões de merda feitas por comparações de merda. Você escreve alguns parágrafos... Sabe do quê? Nada disso custou nada a você. Você não está arriscando nada, nada. Eu sou a porra de um ator. Essa peça me custou tudo. Então, é o seguinte: pegue essas maliciosas e covardes críticas de merda, e enfie no seu enrugado... rabo apertado.”
Tabitha: “Você não é um ator, é uma celebridade. Sejamos claros nisso. Acabarei com sua peça.”

Outra personagem que me chamou bastante a atenção, pelo transbordamento de emoções, foi Naomi Watts. Leslie, a personagem vivida por Watts, sempre sonhara em ser uma grande atriz da Broadway. Entretanto, mesmo alcançando esse que seria o seu maior sonho, Leslie se sente vazia e da mesma forma que era há anos atrás: uma garotinha frágil e sonhadora, que ainda luta pela aceitação e pelo reconhecimento no meio artístico. E é através desse sentimento de Leslie que percebemos a tamanha fragilidade que afeta atores não só dos teatros, mas também de outras vertentes.



Nessas inúmeras facetas que compõem Birdman, é possível notar também o embate não só do Teatro e do Cinema blockbuster, mas também desse próprio Cinema com o do Cinema chamado de cult. E a questão de todos esses embates gira em torno de algo que muita das vezes é feito de forma inconsciente não só por parte da crítica, mas também pelo próprio público: a rotulação; e com esse problema de rotulação, muitas experiências interessantes não são vivenciadas, justamente porque em muitos casos, não há um interesse por parte do indivíduo em sair de sua "zona costumeira".

Além do forte elenco que o compõe e do roteiro, outro ponto a se levantar sobre Birdman repousa sobre as técnicas utilizadas, como o falso plano-sequência, por exemplo, que atribui ao filme um ar de continuidade - uma característica que poderia remeter ao próprio ambiente teatral. O movimento da câmera, verdadeira voyer, ziguezagueando pelos corredores do teatro e pelas ruas de Nova York – e aqui eu destaco a corrida de Michael Keaton apenas de cueca no meio da multidão da Times Square hehe –, concedeu ao filme um caráter único, fazendo toda a diferença no resultado final. O “plano-sequência” é quebrado apenas após o tiro dado por Riggan, contra o seu próprio nariz, no último ato de sua peça. 

Reforço que o trabalho de montagem promovido em Birdman foi admirável, os cortes realizados durante as filmagens se tornaram quase imperceptíveis após a edição, dando a noção de um único só take. Esse incrível projeto de montagem se uniu ao perfeito trabalho de fotografia, criando uma ambientação fluida e natural. 

Outro ponto interessante está na escolha da trilha sonora, composta basicamente por uma bateria que soa de forma descontínua e improvisada, atuando até mesmo como "personagem" na trama.



Um aspecto chamativo da obra de Iñárritu diz respeito também ao uso de elementos surrealistas, como os poderes de Riggan, por exemplo, que criaram uma aura capaz de interferir até mesmo na camada realista do filme. E é imerso desse misto de o que é real e o que é fantástico, que se encerra Birdman. Ao acidentar-se, Riggan acorda em um leito de hospital, e percebe que tudo o que ele mais almejara é, por fim, conquistado: o amor do público advindo do sucesso de sua peça. E vitorioso, ele ascende às alturas, semelhante a um pássaro alçando voo. 

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é um filme maravilhoso em diversos aspectos, além de ser um trabalho original, crítico e extremamente poético do diretor Alejandro Iñárritu.  


E vocês, o que acharam de Birdman? E da sua cena final? Gostaríamos muito de saber a opinião de vocês!

Beijos a todos, e até a próxima! Tchüss :*

 

Crítica: Inside Llewyn Davis - Balada de um homem comum

Olá, meus queridos! ;)

Para aqueles que apreciam a dobradinha música + cinema, 
Inside Llewyn Davis: Balada de um homem comum é uma ótima escolha! Embalada pelas canções folk que compõem a belíssima trilha sonora, a trama, que é dirigida pelos irmãos Coen, expõe as dificuldades de Llewyn Davis (Oscar Isaac), um músico que não vive uma das fases mais brilhantes de sua carreira. Além disso, ele enfrenta muitos problemas na sua vida pessoal, principalmente no âmbito amoroso, fato decorrente das péssimas escolhas feitas no passado. 



Após a morte de seu amigo, e também parceiro de palco, Llewyn busca forças para continuar a sua caminhada. Ao longo do filme, que possui um quê melancólico tanto no enredo quando em sua fotografia, acompanhamos a sua dura via crusis - ao lado de Ulysses, o gato de um de seus amigos –, rumo ao tão ambicionado sucesso profissional. Em meio a noites mal dormidas em sofás alheios e pedidos de carona a estranhos, Llewyn Davis alimenta o seu descontentamento a cada “não” recebido, a cada porta fechada. Seria a hora certa de desistir de tudo? Ou o correto seria continuar tentando?

Inside Llewyn Davis é um filme simples, mas repleto de diálogos profundos e canções simplesmente apaixonantes. Importante destacar também a atuação de Oscar Isaac, que representa, com sucesso, o olhar suplicante unido ao comportamento extremamente arrogante do nosso anti-herói. Em meio ao cenário gélido da Nova York do anos 1960, a trama dos irmãos Coen nos atinge em cheio por fugir dos padrões de "finais felizes": aqui, Llewyn inicia o filme como um fracassado e, até o fim, permanece nessa condição. 


Oscar Isaac interpreta o músico Llewyn Davis 


Bem, para terminar deixo vocês com uma das canções que fazem parte do filme, a lindíssima Five Hundred Miles, interpretada por ninguém menos que Justin Timberlake e a atriz Carey Mulligan (ah, ignorem as legendas em russo, por favor HAHA). Um super beijo, fiquem bem e até a próxima! 







Inside Llewyn Davis: Balada de um homem comum
Título original: Inside Llewyn Davis
Direção: Ethan Coen e Joel Coen
Ano de lançamento: 2013





Crítica: A Caça (2012)

Olá, galera! Tudo bem com vocês? 


Hoje eu vou falar pouco sobre o filme A Caça, do diretor dinamarquês Thomas Vinterberg. O filme faz parte do chamado Dogma 95, um movimento cinematográfico criado pelo próprio Vinterberg em parceria com o diretor Lars von Trier. 




A trama gira em torno de Lucas (Mads Mikkelsen), um professor do jardim de infância de uma pequena cidade no interior da Dinamarca, amado pelas crianças e também cercado por muitos amigos – que foram de grande apoio após o seu divórcio. Entretanto, um dia Lucas é surpreendido pelo comportamento da pequena Klara (Annika Wedderkopp), a filha mais nova de seu melhor amigo, que nutrida de uma paixão pelo professor, acaba beijando-lhe na boca. Ele, impressionado, explica a menina que esse tipo de comportamento só ocorre entre adultos. Mas, Klara unindo a paixão não correspondida com a sua imaginação – que fora “alimentada” pela convivência em casa, através da exposição precoce a uma imagem pornográfica –, acaba declarando à diretora do jardim de infância algo que mudaria drasticamente o curso da vida de Lucas. O professor acaba sendo acusado de abusar sexualmente de Klara, e a partir daí observamos a sua vida sair cada vez mais dos trilhos. Afastado do trabalho, Lucas vai perdendo pouco a pouco o apoio dos seus amigos, além de ser também acusado erroneamente de abusar de outras crianças do jardim de infância. No filme, o espectador acompanha constantemente a dor e o sofrimento de Lucas como se estivesse em sua pele, sendo agredido moralmente e também fisicamente pelos habitantes da cidade.


Thomas Vintenberg apresenta, de maneira brilhante, uma perspectiva diferente de outros longas que também tratam do tema pedofilia. Por exemplo, ao contrário de filmes como Dúvida – do diretor John Patrick Shanley –, que se apoia justamente na provocação de um sentimento de dualidade quanto a inocência do indivíduo acusado; em A Caça, adentramos completamente na visão do personagem condenado injustamente, e temos ciência de que o mesmo é inocente desde o início da trama. O fato, como bem apontado no filme, de que as “crianças não mentem” foi extremamente determinante para a condenação de Lucas. E é sob essa questão que percebemos as consequências irremediáveis da imaginação de Klara, que não é capaz de medir o peso dos seus próprios atos.


Mads Mikkelsen interpreta o professor Lucas em A Caça.


Agora, em se tratando de Mads Mikkelsen... Bem, dispenso comentários haha. Sou extremamente apaixonada pelos trabalhos do ator dinamarquês, e de fato, em A Caça isso não poderia ser diferente. Todo o sofrimento de Lucas, bem como o seu constante conflito interno, é interpretado magistralmente por Mikkelsen. Destaco aqui a cena da igreja, em que Lucas observa a apresentação do coral das crianças do jardim de infância, em meio a olhares desaprovadores e acusadores das pessoas. Não à toa, Mikkelsen foi agraciado com o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes pelo seu papel no mesmo filme, que eu particularmente considero um dos seus melhores trabalhos.


A Caça expõe um tema bastante polêmico através de uma visão diferente dos fatos, mas ao mesmo tempo em que sentimos a dor de Lucas, deveríamos refletir sobre o ponto de vista daqueles que o acusaram. De fato, será que não agiríamos da mesma forma se não tivéssemos conhecimento do que verdadeiramente acontecera? É justamente essa reflexão acerca da crítica social apresentada no filme que é capaz de torná-lo não apenas singular, mas também arrebatador.




A Caça
Título original: Jagten
Direção: Thomas Vintenberg
Ano de lançamento: 2012
País: Dinamarca


Por enquanto é só, meus queridos!
Não se esqueçam de curtir nossa página do Facebook, assim vocês poderão ficar por dentro de todas as nossas atualizações do blog! 
Um super beijo e até a próxima :)

Crítica: A Liberdade é Azul (1993)



O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. – Sigmund Freud

Krzysztof Kieslowski, em A Liberdade é Azul, traduz na tela o conflito entre liberdade e sofrimento. No filme, pertencente à sua brilhante Trilogia das Cores, o cineasta polonês narra a história da modelo Julie Vignon (Juliette Binoche) e sua busca incessante de desligar-se do seu passado trágico.

Após perder seu marido, um famoso compositor, e sua filha em um acidente de carro, Julie vê como única saída para diminuir seu sofrimento a abdicação de tudo aquilo capaz de retomá-la ao passado. Não apenas seus bens materiais, mas também seus ciclos de convivência. O único elo entre passado e presente não eliminado por Julie é o lustre de cristais azuis pertencente ao antigo quarto de sua filha. Entretanto, todas essas tentativas a fim de quebrar seu vínculo com o passado, apenas serviriam para maximizar sua tristeza, seu luto. Após um bom tempo de reflexão, Julie percebe que para diminuir seu sofrimento não deveria desligar-se de suas lembranças e do mundo, mas sim prender-se a algo. Com isso, volta todas as suas atenções para terminar a obra inacabada de seu marido, e também reestabelece o contato com amigos e parentes.



Juliette Binoche vive a modelo Julie Vignon 


Sutil, sensível, poético. “A Liberdade é Azul” se destaca em vários aspectos, sendo um deles atuação brilhante de Juliette Binoche, que transpassa toda dor e angústia de sua personagem; como no cena em que acaricia a tela da televisão ao assistir o funeral de seu marido e de sua filha, ou provoca ferimentos em sua mão ao passar próximo de um muro de pedras com o intuito de diminuir parte de seu sofrimento. Vale ressaltar também a inteligente combinação da tela preta com os acordes furiosos da música clássica – que abrilhanta o filme – nos momentos em que Julie relembra o passado.

A Liberdade é Azul é o primeiro filme da renomada Trilogia das Cores, que conta também com A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha (super recomendados!). Tal trilogia fora baseada nas cores da bandeira da França e nos três ideais que compõem o lema da Revolução Francesa, onde cada filme apresenta as consequências da aplicação de cada um desses ideais. Ambos são sentimentos positivos, porém percebemos que a liberdade em A Liberdade é Azul – assim como os respectivos ideais apresentados nos dois filmes seguintes – trouxe uma carga repleta de dor à vida de Julie Vignon, onde a única saída encontrada por ela fora, de fato, a abdicação da mesma. 


Trilogia das Cores: A Liberdade é Azul
Título original: Trois Couleurs: Bleu 
Direção: Krzysztof Kieslowski
Ano de lançamento: 1993 (França)
País: França/Polônia/Suíça 


Galera, espero que vocês tenham gostado da minha primeira publicação! Lembrem-se de se inscrever aqui no blog, assim vocês poderão receber todas as nossas atualizações. Um super beijo e até a próxima =)

 
Layout feito por Adália Sá | Não retire os créditos