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Semana Especial Guardião - Mari Scotti

Olá pessoal, a nossa escritora parceira Mari Scotti vai lançar o livro Guardião na Bienal do Rio , que é a sequência do  Híbrida e para festejar teremos a Semana Especial Guardião!
Vocês conhecerão mais da escritora, dos livros dela lançados, sinopse do livro, quotes, entrevistas e muito mais.
 Começamos a semana com uma entrevista com a escritora Mari Scotti!


ENTREVISTA


1. Como você se descreve?

Persistente e tolerante. Acredito que seriam os melhores adjetivos para me descrever, porque sou bastante paciente em tolerar situações para alcançar aquilo que almejo e dificilmente desisto. Gosto do que faço e coloco toda minha paixão na escrita, porque desejo que as pessoas se apaixonem pela leitura, assim como eu.
Introspectiva. Alguns diriam que sou antissocial, mas a verdade é que sou reclusa. Gosto de ficar sozinha, de fazer as coisas ao meu tempo, mas por outro lado sou bem extrovertida. Sei que parece que me contradigo, mas é exatamente como sou. Em casa e com amigos mais íntimos ou no MSN onde sou menos tímida, sou bem brincalhona e sarrista. Também sonho demais, sonho o tempo todo: com meus personagens, com novos personagens, com possibilidades. Sou também muito amiga, se alguém precisa de mim e tenho como ajudar, ajudo e quando não tenho como ajudar, tento dar um rumo para que a pessoa encontre uma solução.



2. Qual o significado dos livros na sua vida?

Sempre amei ler e isso me aproximou bastante da minha mãe quando era menina, porque ela que me ensinou a escrever meus primeiros textos. Mais adulta, escrever me tirou de uma situação bem complicada, estava com depressão, desistindo de tudo, me afastando da família, amigos, pessoas importantes para mim. Quando percebi, me foquei em algo que eu amava fazer e acredito muito que foi Deus que me direcionou a isto. Reencontrei meu rumo, alegria e escrever me ajudou a vencer muitas dificuldades pessoais. Então posso afirmar que os livros e Deus me salvaram muitas vezes.


3. Cite 3 autores e livros favoritos.

Amo Crepúsculo e A Hospedeira e a narrativa da Stephenie Meyer. Costumo dizer que não os filmes, mas os livros, porque ela sabe como envolver o leitor em cada sentimento que o protagonista vive.
A Denise Flaibam com Os Mistérios de Warthia. Este foi um dos únicos livros de fantasia nacional que me conquistaram completamente. Sou fissurada por esta série.
E a Keila Gon. Ela sabe como criar um mistério sobrenatural envolvente, instigante e tão palpável que as vezes parece ser capaz de se tornar realidade. O livro: Cores de Outono e Sombras da Primavera da série Cores.


4. Quando você começou a escrever e por quê?

Comecei a escrever entre dez e doze anos de idade, mas minhas histórias não eram legais não. Vejo essas meninas que publicam tão novinhas e fico pensando que eu era bem atrasada nessa idade, não sabia formar frases direito, menos ainda personagens! Fico admirada com quem consegue.
Gostava de ler muito e chegou um momento que eu não tinha mais o que ler na biblioteca da escola e comecei a reclamar com a minha mãe. Ela me apresentou um livro que estava escrevendo. Achei tão incrível que minha mãe escrevia que quis imitar. O livro que ela escreveu, na época, conseguimos publicar a pouco tempo e se chama Uma Janela Fechada.
Esse desejo reascendeu depois que li Crepúsculo e descobri qual era o meu estilo preferido de escrita: fantasia. O desejo de publicar veio depois de conhecer a escritora nacional Nazarethe Fonseca, pois vi que existiam escritores no Brasil tão incríveis quanto os que eu gostava estrangeiros.


5. Você é muito envolvida com projetos de reconhecimento e divulgação da literatura nacional com a fanpage Literatura Nacional BR e seu Blog Coração de Papel. Como avalia o cenário da literatura nacional atual?

Cada pequena ação, seja de um blogueiro ou vários, seja de um autor ou todos, ou apenas de um leitor que decide por um livro nacional ao invés de outro, muda nossa situação atual. Há dois anos, quase não se ouvia falar em escritores nacionais – salvo os já renomados. Hoje, vemos muitos dando entrevistas, sendo
chamados para eventos, sendo lidos, além de algumas editoras que abriram mais as portas para os brasileiros que possuem esse talento. Eu acredito que é o começo, é árduo, demorado, doloroso, mas em alguns anos teremos o prazer de ver em destaque nas livrarias mais livros nacionais que os estrangeiros, assistiremos filmes baseados em nossas criações e veremos leitores preferindo o que é nosso ao que vem de fora, porque saberão que é tão bom quanto, se não melhor. Fico muito feliz de fazer parte disso, dessa mudança, de ter algum papel, mesmo que mínimo, na conscientização dos leitores, editoras, mídia, entre outros, de que o nacional também tem voz e letra.


6. De onde surgiu a ideia para Insônia e Hibrida?

Ambos os livros eram fanfics que eu publicava no site de Fanfics e alguns personagens eram inspirados na Saga Crepúsculo.
Híbrida: Um dia surgiu uma pergunta na minha cabeça: O que aconteceria com a rixa entre lobisomens e vampiros, se os lobisomens tivessem de criar uma criança vampira ou vice-versa? Da pergunta nasceu a Ellene e toda a trama da série, como de onde ela vem, o motivo de ter sido deixada entre os lobos e também Milosh, o vampiro que teve sua esposa e rainha sequestrada e que precisa descobrir onde ela está, quem é o traidor e como salvar sua espécie do caos eminente.
Insônia: Insônia era para ser um romance somente, comecei a escrever por causa de um amigo rpgista que se intitulava Eros. Criávamos cenários e histórias diversas e na maioria das vezes ele me contava as melhores. Sempre fiquei abismada com a criatividade dele em contar histórias e decidi que dedicaria um personagem a ele. Criei os dois primeiros capítulos de Insônia, porém não consegui continuar, porque meu forte é a fantasia. A história ficou abandonada por três anos até que relendo tive um clique: E se o Pietro não fosse apenas humano? E se tivesse algo mais por trás dessa aparição? Foi assim que a série nasceu.


7. Vemos que se tornou algo viral, escritores de fanfics publicando livros, como você avalia essa transição?

Depende muito do autor. Alguns têm a preocupação de mudar a característica dos personagens, lugares e situações para que não lembre os personagens que o inspirou, mas infelizmente, a maioria, não faz isso.
Acho louvável o escritor que se preocupa em dar aos seus leitores algo realmente original, com personagens que, mesmo sendo de uma ex fanfic, sejam criações de sua mente, do seu coração de escritor.
Eu sou a primeira a apoiar quem escreve fanfic a se arriscar a escrever um livro, mas desta forma, buscando tirar as características dos personagens de outro escritor de seu livro, readaptar a história, complementar descrições, melhorá-la.


8. Algum dos personagens do seu livro foi inspirado em você? Ou em algum amigo, familiar, etc?

Quando começamos é sempre melhor escrever o que conhecemos, e para criar alguns personagens precisei olhar para a minha família, nossa criação e convivência. A Ellene e a Suzanna têm muito de mim, principalmente na forma de enxergar o mundo com inocência demais. Na época eu não conhecia nem livro erótico por exemplo, e a falta de conhecimento da vida fica um pouco evidente na forma que narrei os dois primeiros livros (Insônia e Híbrida). Conforme fui amadurecendo, a escrita também amadureceu e hoje consigo separar bem mais o personagem das minhas influências pessoais.
A Ellene tem uma característica bem pessoal minha: medo de insetos.
As famílias também possuem muito da minha: a união, as brincadeiras, a cumplicidade e o amor.


9. Quais os próximos projetos?

Finalizar as duas séries são meus projetos mais urgentes, me dedicar ao lançamento de Guardião que está próximo e a alguns romances que finalizei e preciso amadurecer a escrita. Se tudo der certo, um destes romances será publicado em 2016. Assim espero!


10. Deixe um recado para os seus leitores.

Primeiro quero agradecer a todos os blogs que se apresentaram para a parceria da primeira edição de Híbrida, por apoiarem a Semana Neblina e Escuridão e a todos os autores nacionais. Sem vocês, muito do que conquistamos não teria sido alcançado.
Aos leitores: muito obrigada! Espero que tenham gostado da entrevista e que busquem conhecer um pouco mais dos livros. Boa leitura a todos!
Com carinho, Mari Scotti



DATA E EVENTO DE LANÇAMENTO
RIO DE JANEIRO
12/09 às 15:00h
Local: Bienal do Livro – Estande J – Novo Século
Link evento: https://www.facebook.com/events/664189140348898/

Espero que acompanhem a Semana do Especial!
É um prazer participar dessa semana ,pois adoro a escrita da Mari e a simpatia dela!
Até amanhã!

[Entrevista] A Very Harry Potter Musical - Part II


Olá, pessoal! Hoje venho com a segunda parte do nosso Especial - A Very Potter Musical, que ontem contou com a entrevista da direção e produção. Nesta segunda parte, traremos a entrevista que fizemos com o elenco.
Quando fomos nos encontrar com os atores, estávamos todos tímidos, mas assim que ligamos o gravador, todos se soltaram e foi um bate- papo divertido e longo! Confira agora algumas das perguntas que fizemos aos integrantes do elenco:



A VERY POTTER MUSICAL
Entrevista – Elenco

1)    Como foi o processo de elaboração do musical? Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas?


 Ingrid Klug (Hermione Granger): Eu acho que uma das maiores dificuldades para mim foi juntar o canto e a dança. É complicado quando se junta as duas coisas. No inicio, dá um clique na cabeça da gente, mas depois você se acostuma. Um musical exige muita disciplina, muita concentração. É um tipo de Teatro muito difícil de fazer, é minha primeira peça longa com dois atos, é uma peça bem grande. Logo, o segundo maior desafio é manter a energia durante um bom tempo. Você tem que manter o pique por um bom tempo, sem contar que é uma comédia! Exige muita atividade e energia; então, acho que foram esses os meus maiores desafios.

Lucas Rocha (Alvo Dumbledore): Sempre estivemos bem envolvidos no projeto, ajudando a produção. Afinal, somos um projeto universitário e precisamos nos ajudar em tudo o tempo todo. Quanto às dificuldades pessoais, acho que tanto o canto quanto a atuação foram uma surpresa pra mim. Eu nunca fiz um curso de teatro completo e aprendi tudo muito rápido com tanta gente talentosa ao meu redor (diretores e elenco). Toda a experiência que nos mostrou as dificuldades também cuidou de diminuí-las. O cuidado que tiveram conosco durante toda a construção de personagem, técnicas de canto, etc,foi muito especial.

Rayza Noia (Lilá Brown e Bellatrix Lestrange) : Uma dificuldade pra mim também é a responsabilidade com os fãs de Harry Potter, porque é uma legião de fãs. É uma coisa assim, que eu só fui ter noção quando começamos a divulgar o musical. Porque acabaram os livros, os filmes e eu tive a impressão que passou; mas não passou, e ele fez parte de uma geração inteira. Então, é muita responsabilidade, e fã é um ser muito exigente que praticamente caça defeito.

Foto tirada no ensaio do musical -  Em cena Rony, Harry e Hermione ( Jeff, Gabriel e Ingrid)

2) Como foi a escolha dos atores para cada personagem?

Lívia Bravo (Draco Malfoy): Tínhamos uma ficha e tínhamos que preencher com os personagens que queríamos fazer. Então, eu coloquei o Draco e consegui! Acho que com quase todos foi assim.

Rafael Chapouto – Quirinus Quirrel: O meu foi um pouco diferente, porque eu fui chamado quase depois de todo o elenco ser selecionado. Então, quando eu recebi o e-mail, eu pensei que fosse sei lá, árvore, algum papel assim, um tapa buraco. Quando o Julio falou que eu faria teste para o Quirrel, bateu um nervosismo enorme. Porque ele é um personagem que tem que lidar com a comédia e uma energia lá em cima. Aí, fui fazer o teste e passei mal um dia antes de labirintite, cheguei aqui super nervoso e acabei passando.

Gabriel Contente (Harry Potter) : Eu não botei o Harry na lista dos personagens que eu queria a fazer, botei vários, menos  Harry. Eu botei o Snape primeiro, e quando eu recebi o papel para fazer o Harry, eu nem sabia se era uma fala de Harry para qualquer personagem ou se eu que iria fazer. E depois que eu vi que iria fazer o Harry fiquei super empolgado.

Gabriel Contente e Jeff Fernandéz ( Harry e seu inseparável amigo Rony )

3)    Harry Potter reuniu – e ainda reúne – uma legião de fãs com os seus livros e filmes ao longo dos anos. Qual o sentimento em adaptar para os palcos uma das sagas de maior sucesso do cinema/literatura?

Jeff Fernandéz (Rony Weasley): Esta vendo o sorriso no rosto de todos? É eu acordar hoje e ainda não acreditar que estou realizando um sonho de criança de está no mundo de Harry Potter, de está fazendo um musical, que vou está num teatro, num palco. É uma realização muito grande junta. Eu acordo e falo: Cara, estou fazendo isso, sabe? E a galera está querendo assistir.

Lucas Rocha (Alvo Dumbledore): É totalmente irado! Eu sou muito fã dos livros, filmes, e musical original e sempre ficava sonhando em participar da peça (assim como dos filmes). Então quando eu soube que teriam audições para uma versão brasileira, fiquei louco! Tive que fazer! É um sonho realizado pra mim, sem exagero. Não tenho palavras para dizer o quão feliz e grato sou por participar de algo tão especial e que fez parte de nossa infância e adolescência.

Maíra Garrido ( Preparadora Vocal): Não é nem um pouco simples. Eu, como fã e como eu estou de fora, eu assisto os ensaios. O que eu espero quando eu vejo os atores em cena é ver o personagem como é descrito no livro. Só que eu quero ver o ator sacaneado esse personagem em cena. Então, não é fácil, ainda mais na minha parte de canto.  É tentar imaginar como seria a voz do Draco fazendo um solo. Tudo é muito interligado, tem que ser tudo muito bem pensado para não ofender ninguém. Esse é um musical que agrada muito aos fãs dos livros.

Rayza Noia (Lilá Brown e Bellatrix Lestrange): E a sátira, eu vejo ela como uma forma de homenagear a obra original, só que ela não sendo levada a sério pode virar uma grande piada de mal gosto; então, a gente leva a sério a raça, a gente faz graça a sério.


Elenco em cena
4)    Se vocês tivessem a oportunidade de escolher entre uma capa de invisibilidade, um vira-tempo, a bolsa da Hermione e uma Firebolt, quais desses objetos vocês escolheriam? Por quê?

Lucas Rocha (Alvo Dumbledore):Acho que o melhor para mim seria um vira-tempo. Sorteios da loteria nunca mais seriam os mesmos.

Lívia Bravo (Draco Malfoy):Ah gente, eu quero a bolsa da Hermione,nós temos que  carregar milhões de coisas pro ensaio todos os dias e fazemos uma mala para caber tudo, então a bolsa da Hermione seria ideal.
Em unanimidade preferiram a bolsa e um firebolt para chegarem rápido aos ensaios( risos)


5) E quanto aos trabalhos futuros? Teremos mais apresentações?

Juliana Souza ( Produção): Queremos sim mais apresentações, mas no momento estamos priorizando as apresentações na Unirio, por diversos fatores. Tivemos problemas aqui e é muito importante que essas apresentações sejam muito bem feitas para eles saberem que não precisava rolar os conflitos internos com a instituição. Mas de outras apresentações, existem possibilidades, não tem nada fechado e não estou fazendo mistério, mas todo mundo aqui quer, está animado. Mas temos que ter a noção que somos um projeto acadêmico, não podemos obrar ingresso, precisa de um teatro e tal, mas sabemos que só seis apresentações para a quantidade de fãs é muito pouco.





Quero agradecer a Juliana Souza, produtora, que foi a primeira pessoa que eu entrei em contato e já ali vi que seríamos bem recebidas. Também a equipe de direção: Júlio Angelo, Dandara Costa e a Maíra Garrido pela atenção e por permitirem que tomássemos o tempo precioso de vocês, agora que está tão perto do musical estrear, e pelo bate papo que tivemos durante a entrevista. E claro, aos integrantes do elenco, que foram incríveis, receberam tão bem duas estranhas tanto na entrevista como no ensaio. Me diverti muito durante a entrevista e assistindo vocês, Muito sucesso a todos vocês, são de um talento incrível e o número super representativo de pessoas querendo assistir vocês é a prova disso!
Espero que tenham gostado! Aproveitamos para deixar o vídeo do elenco convidando a galera do Rio para o musical:








* Entrevista gravada e transcrita por Camilla Pereira e Isadora Ribeiro. Proibida a cópia total ou parcial da mesma sem autorização das autoras. 


[Entrevista] A Very Potter Musical - Part I

Olá, pessoal! Há umas semanas atrás eu descobri que aqui no Rio irá acontecer um musical sobre Harry Potter, e, como uma boa fã que sou, marquei presença no evento do Facebook. Mas o projeto deles me chamou tanto a atenção, que entrei em contato com eles na cara de na coragem. Assim, eu e Camilla pudemos conhecer a produção, a direção e o elenco do musical, e conseguimos uma entrevista exclusiva para o nosso blog! 
O papo foi tão bom que de uma entrevista decidimos fazer o Especial - A Very Potter Musical, que trará hoje essa entrevista com a produção e direção, e amanhã com o elenco! Confira agora o que eles contaram sobre o musical!

A VERY POTTER MUSICAL
Entrevista – Produção e Direção:
Entrevistados:
Direção e Adaptação: Julio Angelo
Ass. Direção: Dandara Costa
Produção: Juliana Souza




1)    Como surgiu a ideia de um musical sobre Harry Potter?

Julio Angelo ( Diretor): O musical original foi feito em 2009, A Very Potter Musical, pela companhia Star Kiss. A Star Kiss era formada por estudantes da Faculdade de Michigan que decidiram fazer uma peça sobre Harry Potter. A primeira ideia que eles tiveram foi de compor uma música dizendo que o Draco era apaixonado pela Hermione. Então, a primeira música que surgiu mesmo foi a Granger Danger. Nisso eles tiveram a ideia de fazer todo o musical. A ideia de trazer pra cá, fazer uma versão no Brasil, surgiu porque existem tantas possibilidades de teatralidade, e, sendo uma paródia, temos uma liberdade muito grande de criação. Há uma sátira e um humor muito específico e muito interessante de se fazer dentro de uma faculdade, que é o lugar onde você pode experimentar, e isso foi o que mais me interessou quando eu assisti o espetáculo de 2010. Aí guardei tudo na caixinha e fiquei pensando, depositando esses pensamentos para o futuro. Então eu me perguntei, "o que eu posso fazer"? E é sobre coisas que eu gosto muito: Harry Potter, teatro, musical. Além disso, era uma coisa que eu via muito nesse lugar exatamente da experimentação, sem falar que me despertou muito o interesse por ser um projeto acadêmico desde o princípio. Desde o princípio foi feito numa faculdade, foi o que mais me fez ter essa decisão de fazer o musical aqui dentro (UNIRIO).

2)    Como foi o processo de elaboração do musical? Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas?

Julio Angelo ( Diretor): Maiores dificuldades? Tudo! (risos) Porque é muito difícil, muito difícil. O teatro musical abrange vários seguimentos: a cena, o canto, a dança. E tudo já começa na seleção dos atores. Por ser um projeto acadêmico, nós queríamos atores de faculdades federais, era uma coisa que a gente pensou desde o início, de o elenco ser composto por estudantes. E o meu orientador, o Rubinho, me deu essa força na questão de “vamos seguir com estudantes”. É importante lembrar também que os atores precisavam dessa noção de que existe o canto, a dança, a interpretação, e de que tudo é ligado.  Eles já têm essa dificuldade, de como assimilar tantas coisas. Uma outra dificuldade é a grana. Por ser um projeto acadêmico a gente não tem dinheiro nenhum. Não tínhamos dinheiro nenhum, nós fomos conquistando, achando possibilidades, correndo atrás de tudo. A questão da grana acho que está acima até da questão dos atores. Repito, era um projeto acadêmico, a gente sabe o nosso lugar, não queremos sair desse lugar que é a raiz desse projeto. Não queríamos subir muito e perder a cabeça na pretensão, em querer coisas muito caras. E não teríamos possibilidade disso.

Dandara Costa (Ass. direção): Esse era um projeto para ser feito numa sala da teatro, não num teatro e nem num auditório, a ideia era em uma sala. Então a questão do dinheiro não era algo que mexia muito com a gente porque não precisaria de equipamento de som, microfones, o cenário seria bem reduzido. Então, depois que a gente teve que tirar o nome da Unirio, nós tivemos que nos adequar ao espaço que tínhamos, que era o Vera Janacopulos. E lá exige muito mais de equipamentos sonoros, microfonia e tudo mais. Então esse foi um estresse.

Julio Angelo ( Diretor): Esse lugar que ela (Dandara Costa) citou como dificuldade, a grana e também a questão do teatro musical. O teatro musical enfrenta muito preconceito aqui dentro da faculdade. Dentro das faculdades em geral. Muito preconceito por acharem que essa é uma arte menor. Muitas das vezes, essas grandes produções que existem no mercado têm apenas dois meses de ensaio. Dois meses de ensaio pra fazer tudo isso. Ou seja, alguma coisa vai pecar. A interpretação é sempre deixada de lado. Se você tem um rosto bonito e canta bem, você já é perfeito para o papel. Ou seja, perde um pouco da credibilidade. E as pessoas entram no senso comum de que é uma coisa ruim, e não é. É muito mais difícil do que imaginam. Muito. E o que aconteceu aqui dentro da faculdade, uma das questões da gente ter sido coagido a tirar o nome da Unirio desse projeto foi esse lugar, de preconceito. Acho que essas são as coisas mais difíceis.

Juliana Souza ( Produção): Nossos apoiadores são completamente loucos! (risos) Mas assim, são pessoas que são apoiadoras, e eu acho importante dizer isso, que a gente não acreditava que iria conseguir apoio de certos lugares. E eles nos acompanharam. Pessoas que estão nos ajudando na confecção do nosso figurino sem darmos um tostão, nós estamos apenas divulgando o trabalho dessas pessoas. As pessoas estão dando coisas caras pra gente. E a contrapartida é minúscula. Por isso é muito incrível que tudo isso esteja acontecendo. Porque nós sabemos que nós nos estressamos, que não dormimos de noite, e quando por exemplo, vocês aparecem querendo conversar conosco desperta em nós o sentimento que estamos fazendo alguma coisa certa. Que está dando resultado. 3000 pessoas confirmaram presença no nosso evento, não sabemos se todas essas pessoas irão caber no teatro. A responsabilidade é alta.

Julio Angelo ( Diretor): A gente está nesse lugar de respeito, pois estamos mexendo com com algo muito delicado que é o mundo de Harry Potter. Fez parte de uma geração inteira. Por isso, temos que respeitar o que a gente faz, temos que respeitar as pessoas que curtem as nossas publicações na página, que confirmaram presença no evento, temos que respeitar todas essas pessoas. Porque esse é o nosso papel como artistas.

Dandara Costa ( Ass.direção): E voltando a essa questão delicada, muitas pessoas são fãs de Harry Potter e de musicais. Então, se você pega os fãs de Harry Potter e os fãs de musicais, a coisa explode (risos).

3)    Qual é a rotina dos ensaios, e como é o entrosamento do elenco?

Julio Angelo (Diretor): Só não ensaiamos às terças-feiras, praticamente. No início do projeto, tínhamos poucos ensaios. Depois que a gente foi vendo que o lugar era um pouco mais acima, a gente foi se adequando, se adaptando. E essa adaptação está sendo até o momento. Porque agora que entramos nessa reta final, exige muito mais concentração, responsabilidade, horário, tudo. Então, os atores estão se adaptando ainda. Nós estamos nos adaptando também. Eles não ensaiam às terças, mas nós trabalhamos todos os dias. Quanto ao entrosamento, foi incrível! Desde as audições. O Jeff (Rony) e o Contente (Harry) se amaram de paixão. Eles disseram um para o outro, você vai ser o Harry e você o Rony, parece que eles já sabiam pela áurea que isso iria acontecer. Acho um entrosamento muito bacana, somos uma família Potter.

Dandara Costa (Ass. direção): Um dos nossos atores quebrou o pé há pouco tempo, ele estava muito desesperado e nós falamos para ele conversar com os parceiros de cena dele. Então, um dos garotos do elenco chegou a buscá-lo em casa, que era num local extremante diferente da rota dele. Fez tudo para que as coisas funcionassem, porque um precisa do outro e todo mundo precisa de todo mundo. Eles são bem família assim. Por muitos deles morarem longe, muitos dormem da casa um do outro.

Julio Angelo (Diretor): Por conta dos horários dos ensaios também, que tiveram que ser estendidos. Por isso, muitos deles acabam perdendo a condução e precisam ficar na casa de alguém. E não tem problema nenhum nisso, é muito legal. Essa é uma das coisas que dá mais valor ao que a gente faz.

Juliana Souza ( Produção): O que eu acho legal também, é que eles já tinham um contato com os atores e eu entrei depois. E até nos momentos em que precisamos sentar com eles para passarmos questões de produção, são sempre momentos muito intensos, porque eles se envolvem com aquilo que está sendo dito. Eles perguntam, eles querem saber, querem dar sugestões. Se eles têm alguma ideia eles já vêm falar com a gente. Eles estão muito envolvidos enquanto amigos, enquanto atores e enquanto produção. Eles são muito interessados e isso estimula a gente.

Julio Angelo ( Diretor): Se não fosse estudante, eu não sei se teria isso. Tem muito ego nesse mercado, e eles não estão nesse lugar. Aqui nos corredores da faculdade, pra fazer teatro eles precisam disso. Isso que eu acho mais interessante.

Dandara Costa (Ass.direção): E essa rotina de muitos ensaios, pesada, deixa qualquer um exausto. Nós falamos para eles que eles devem chegar na segunda-feira com todo o pique e eles chegam, sabe? Isso é muito incrível.

4)    O musical é baseado em um dos livros da saga? (Se sim, qual seria?)

Julio Angelo (Diretor): É sobre tudo, é uma miscelânea. É uma paródia da saga inteira, e isso é o mais interessante porque os criadores originais zombaram de tudo. Não tem perdão, é tudo sacanagem. Mas tudo no lugar de não diminuir, mas de elevar para outro lugar. Isso que eu acho mais legal.  Nós falamos da saga, mas é uma história que abrange outros assuntos, isso é muito legal.

Dandara Costa(Ass. direção): E as pessoas vão ver no espetáculo o que nós vimos em 7-8 anos. A mudança dos personagens eles verão em 2 horas e meia (risos).

5)    O que o público – principalmente o público fã! – pode esperar do musical?

Julio Angelo (Diretor): Essa é uma pergunta capciosa (risos). Já que essa é uma versão brasileira, acho que esse é um lugar muito de abrasileirar, sabe? Nós trouxemos o espetáculo pra cá, é a nossa versão brasileira mesmo. A identificação vai ocorrer de fato, porque vai englobar muitas coisas. Vai tratar da questão de Harry Potter, eles puderam identificar o que está ocorrendo agora no Brasil, no que está acontecendo na casa dele. O publico vai parar e pensar “nossa, mas isso está acontecendo agora!”, vai ter muito isso. A história vai estar trazendo algo atual. Além de ser uma tremenda comédia, tem críticas super bacanas.

Juliana Souza (Produção): Toca em assuntos muito delicados, como bullying, homossexualidade, essas coisas. Toca nessas coisas.

Dandara Costa (Ass.direção): Eu acho que o que eles não vão esperar são reviravoltas com personagens que eles jamais iriam imaginar que iriam se encontrar. Então, eu quero que eles cheguem com muita expectativa. Porque isso vai acontecer (risos).

Julio Angelo ( Diretor): Essa é uma adaptação da versão original, só que é outra coisa, é outro espetáculo. Eles não vão ver a mesma coisa. A essência está lá, mas humildemente falando, ela está em outro lugar (risos). A gente trouxe arranjos novos, estamos com uma banda ao vivo que é top de linha, com sete instrumentos. As atuações são incríveis. A nossa versão é brasileira e os fãs brasileiros vão ficar loucos.

6)    Harry Potter reuniu – e ainda reúne – uma legião de fãs com os seus livros e filmes ao longo dos anos. Qual o sentimento em adaptar para os palcos uma das sagas de maior sucesso do cinema/literatura?

Julio Angelo ( Diretor): Outra pergunta capciosa (risos). É um universo que dá tantas possibilidades, que gera tantas discussões, é tão vivo. Como eu falei, nós trazemos um espetáculo que é atual. O último filme da saga foi lançado em 2011 e está vivo! Não para. Quem é fã de Harry Potter não para. Faz histórias inspiradas na saga, quadrinhos, se veste, faz tatuagem, compra todos os produtos, não para e eu acho que é muito atual. E essa responsabilidade e de deixar essa coisa ainda mais viva. O espetáculo original foi lançado nos EUA, está disponibilizado online para as pessoas assistirem, mas aqui o público brasileiro nunca viu isso acontecer ao vivo. Isso está acontecendo e não vai parar de acontecer, nós temos a responsabilidade de manter esse espírito vivo. Temos de a responsabilidade de fazer isso com muito amor.

O elenco e a direção do " A Very Harry Potter Musical" conversaram conosco, e vocês puderam ler na entrevista a dificuldade com o dinheiro para o musical se manter.Deixo aqui então, o pedido deles.
Não deixem de participar da Vakinha! =D


Nosso projeto ganhou proporções que almejávamos somente em nossos sonhos, mas a realidade está ai pra comprovar que chegamos aonde estamos com o nosso mérito.
Não temos nenhum tipo de patrocínio, pois nos firmamos dentro da Lei como um projeto acadêmico. E por sermos um projeto acadêmico é que precisamos muito da AJUDA de cada um de vocês para continuarmos trilhando nosso caminho
Com a ajuda de vocês o “A Very Potter Musical – Exercício em Cena” poderá alcançar mais objetivos e metas, tendo a possibilidade até de futuras novas temporadas, o que será ideal para que todos vocês se divirtam e apreciem nosso trabalho.

Ajude a nossa Vakinha a chegar em Pigfarts! Emoticon smile

LINK VAKINHA : https://www.vakinha.com.br/vaquinha/a-very-potter-musical-exercicio-em-cena



Essa a primeira parte do nosso Especial, espero que tenham gostado e aguardo vocês amanhã para a entrevista divertida do elenco e fotos do ensaio!
Até!


* Entrevista gravada e transcrita por Camilla Pereira e Isadora Ribeiro. Proibida a cópia total ou parcial da mesma sem autorização das autoras. 

[Entrevista] Sávio Lopes


Olá, galera! Tudo bem?
Hoje vamos conhecer mais um pouco o escritor brasileiro Sávio Lopes, autor do livro Deixe a Inglaterra Tremer! Se você ainda não leu nossa resenha, clique aqui. 


Entre Vírgulas – Você morou na Inglaterra por um tempo e baseou-se em suas próprias experiências ao escrever Deixe a Inglaterra Tremer. Quais foram as três coisas que você mais amou durante a sua estadia em Londres? E as que não lhe agradaram?

Sávio Lopes – As três coisas que mais gostei: os amigos que fiz; as múltiplas culturas que convivem na cidade, tornando-a diversa; A beleza arquitetônica e histórica da cidade.
As três coisas que menos gostei: algumas pessoas que tive o desprazer de conhecer e a sensação de isolamento que a cidade às vezes parece nos dar.


EV – Qual foi a sua motivação em não citar o nome do narrador?

SL – O objetivo foi deixar aberto à interpretação se a história é ficcional ou autobiográfica, visto que ela é um pouco dos dois. Além disso, pelo fato da história envolver basicamente acontecimentos cotidianos (não ser uma literatura fantástica), gosto da ideia dos leitores imaginarem que aquele narrador poderia ser qualquer pessoa, inclusive ele próprio.


EV – Na construção do personagem principal, você utilizou a personalidade de pessoas diferentes ou ele se baseia integralmente na sua própria personalidade?

SL – Ele é baseado em outros personagens. Enquanto escrevia Deixe a Inglaterra Tremer eu estava estudando dois livros que inspiraram o protagonista/narrador: O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger e Notas do subsolo, de Dostoiévski. Este arquétipo de personagem socialmente indiferente e que está sempre praguejando foi inspirado em Holden Caulfield e no homem do subterrâneo.


EV – Sabe-se que a música é bastante presente no seu livro. Qual foi o nível de contribuição dela durante a elaboração de Deixe a Inglaterra Tremer?

SL – Contribuiu muito! As músicas citadas no livro não foram usadas somente para criar uma trilha sonora para a história, mas elas também foram escutadas durante o processo de escrita. Por isso, muitas delas penetraram a história e o seu universo ficcional; de forma que nem tudo que está escrito ali foi vivido por mim, mas, muitas vezes, experimentado através dessas músicas.


EV – Ao longo do livro, acompanhamos o dia-a-dia de um jovem estudante brasileiro no exterior. Em sua opinião, qual a importância de ingressar em um programa de intercâmbio?

SL – Acho que viagens que possuem como intuito explorar determinada cultura são muito enriquecedoras. Não necessariamente um programa de intercâmbio, mas mochilões, passeios de longas durações e todas as formas de viagem que não se limitam a conhecer os locais turísticos “óbvios” e construídos para mostrar uma imagem pré-determinada do país ou região. Conhecer pessoas de culturas diferentes, trocar ideias, experimentar, tudo isso é muito engrandecedor.


EV – Uma das bases do Entre Vírgulas é destinada aos livros. Você acredita que os blogs literários sejam uma ferramenta importante na divulgação de autores e apresentação de novos títulos aos leitores?

SL –
Sim, são ferramentas muito importantes! É muito dificil para um autor iniciante conseguir espaço na mídia oficial, por isso é muito bom existirem pessoas que se predispõem a conhecer algo totalmente novo, que muitas vezes nunca foi indicado por ninguém. É, ao meu ver, uma atitude muito nobre essa dos blogs, pois demonstra que são pessoas que possuem interesses que vão além do que é sugerido pela grande mídia.


EV – Deixe uma mensagem aos nossos leitores!

SL – Agradeço aos leitores do Entre Vírgulas pela atenção e pelo interesse em conhecer Deixe a Inglaterra Tremer! Espero que gostem =)
 
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